Aspectos estilísticos – 6-Clichê

Clichê é uma expressão batida e repetitiva que deve ser evitada na escrita. Exemplos: fechar com chave de ouro, no fundo do poço, em plena luz do dia, uma luz no fim do túnel.

Embora essas expressões possam ser úteis, elas empobrecem o estilo e sugerem falta de reflexão por parte do autor. Um texto será mais apreciado se contiver construções originais.

Confira 47 exemplos de clichê: 

 

CLICHÊ EXEMPLO
A voz rouca das ruas  
Ao apagar das luzes Ao apagar das luzes, o Vasco fez um gol.
Arrancar aplausos/lágrimas  
Atuação impecável  
Caixinha de surpresas  
Carreira meteórica  
Chegar a um denominador comum  
Chuva torrencial  
Com a cara e a coragem  
Conquistar corações e mentes  
Correr atrás do prejuízo  
Dar-se ao luxo  Não posso me dar ao luxo de tirar um dia de folga.
Dar a volta por cima  
Dar o último adeus  
De mãos abanando Ela foi  à festa de aniversário de mãos abanando.
De tirar o fôlego  
Deixar a desejar A explicação dela explicação deixou a desejar.
Dizer cobras e lagartos  
Do Oiapoque ao Chuí  Essa cantora paraense faz sucesso do Oiapoque ao Chuí.
Em alto e bom som O deputado respondeu em alto e bom som.
Estourar como uma bomba A prisão do diretor estourou como uma bomba na empresa
Fazer por merecer  
Fechar com chave de ouro Vamos fechar/encerrar com chave de ouro.
Fonte inesgotável  
Frio e calculista  
Gerar polêmica  
Grata surpresa  
Joia da coroa  
Luz no fim do túnel  
No fundo do poço  
Óbvio ululante  
Pensar fora da caixa  
Pergunta que não quer calar  
Plena luz do dia  Ele foi assaltado em plena luz do dia.
Ponto fora da curva  
Preencher uma lacuna Sua contratação veio preencher uma lacuna.
Quinze minutos de fama  
Rastro de destruição O furacão deixou um rastro de destruição.
Realizar o sonho da casa própria  
Requintes de crueldade  
Respirar aliviado  
Silêncio sepulcral  
Trocar farpas  
Trocar figurinhas  
Um lugar ao sol  
Via de regra Via de regra, esse tipo de roubo acontece aqui.
Vitória esmagadora  

 

Aspectos estilísticos – 5-Estrangeirismo

Palavras estrangeiras devem ser usadas com moderação. Certos estrangeirismos podem dificultar a compreensão, constituir clichês ou soar pedantes.
Critérios a serem seguidos:

1) Só usar termos estrangeiros quando são consagrados pelo uso e pelo tempo, para os quais não há tradução precisa.

Exemplos: software, hardware, marketing, merchandising, know how, designer, impeachment, lay out, hacker, show, réveillon, pizza, mouse.

2) Usar a tradução sempre que possível:
Use: Em vez de:
Documento Paper
Intervalo Break
Inserir Dar input
Estreia Première
Bastidores Backstage
Maquiagem Make
Avaliação Rating
Desempenho Performance

3) Usar a forma aportuguesada quando já estiver consagrada.

Exemplos: futebol, beque, xampu, estresse, surfe, blecaute, nocaute, contêiner, fôlder, pôster, hambúrguer, bufê, filé, balé, abajur, chope, espaguete, musse.

Leia aqui uma lista de 55 palavras aportuguesadas, com as respectivas palavras originais e idiomas de origem.

Aspectos estilísticos – 4-Pleonasmo

Alguns pleonasmos são fáceis de reconhecer (entrar para dentro, voltar para trás, subir para cima), outros estão presentes na linguagem oral e devem ser evitados na linguagem escrita.

O pleonasmo literário, utilizado de forma intencional para produzir ênfase, deve ser evitado em textos jornalísticos.

Exemplos:

Até hoje, a polícia ainda não identificou o assassino. => Até hoje, a polícia não identificou o assassino. // A polícia ainda não identificou o assassino.

Comer um pedacinho pequeno de bolo. => Comer um pedaço pequeno de bolo

Neste show, os artistas vão tocar sucessos da carreira individual de cada um. => Neste show, os artistas vão tocar sucessos de suas carreiras individuais.

É importante ter conhecimento de setores-chaves importantes, como agronegócio e indústria de carga. => É importante ter conhecimento de setores-chaves, como agronegócio e indústria de carga

O empate acabou acontecendo no intervalo entre as expulsões. => O empate acabou acontecendo entre as expulsões.

O técnico vai manter o mesmo time no próximo jogo. => O técnico vai manter o time no próximo jogo.

O resultado do laudo será fornecido daqui a uma semana. => O laudo será fornecido daqui a uma semana.

O presidente fez uma previsão otimista para o futuro. => O presidente fez uma previsão otimista.

Esta cerca divide a Coreia em duas metades. => Esta cerca a Coreia em duas.

Li esse livro há três anos atrás. => Li esse livro há três anos.

Até mesmo a CUT já condenou a greve. => Até a CUT já condenou a greve.

Devemos usar dados históricos, como, por exemplo, o IPCA desde 1990. => Devemos usar dados históricos, como o IPCA desde 1990.

Expressões pleonásticas frequentes:

Elo de ligação
Criar novas oportunidades
Acabamento final
Há anos atrás
Conviver junto
Ganhe grátis
Planos para o futuro
Inaugurar novas escolas
Todos são unânimes
Lançar um novo CD
Estrear um novo filme
Teto máximo
Piso mínimo
Pequeno detalhe
Já não serve mais.
Consenso geral

Aspectos estilísticos – 3-Ambiguidade

Devemos sempre evitar a duplicidade de sentido de uma palavra, expressão ou frase. A dupla interpretação deixa o texto obscuro, quando não incompreensível.

Algumas causas frequentes de ambiguidade:

1) Uso do pronome possessivo sem explicações pode confundir o que é de quem.

Tony ensinou Malu a usar o seu computador para escrever roteiros de viagem.

Computador de quem? Do Tony, da Malu ou “de você”?

Melhor deixar claro: “Tony ensinou Malu a usar o computador dela para escrever roteiros de viagem”.

Em muitos casos, basta cortar o termo “seu” ou “sua”:

Ivo encontrou o seu irmão no aeroporto. => Ivo encontrou o irmão no aeroporto.

 

2) Posição inadequada do adjunto adverbial

O candidato Edgar de Souza (PSDB) recebeu ataques devido à sua orientação sexual durante a campanha.

A ordem dos termos dá a entender que o candidato adotou uma orientação sexual durante a campanha.

Durante a campanha, o candidato Edgar de Souza (PSDB) recebeu ataques devido à sua orientação sexual.

 

3) Colocação do pronome relativo “que” em posição distante do nome ao qual se refere.

O escritor não deu detalhes sobre o livro sobre a guerra que acaba de terminar.

O que acabou de terminar: o livro ou a guerra?

O escritor não deu detalhes sobre o livro que acaba de terminar, cujo tema é a guerra.

Aspectos estilísticos – 2-Repetição de palavras

Recomenda-se, sempre que possível, não repetir palavras num intervalo curto do texto. O uso de termos cognatos* muito próximos sugere pobreza vocabular ou descuido do autor e torna a leitura monótona.

* Cognato = palavra que tem a mesma raiz que outra(s) (ex.: livro e livraria).

Devemos prestar atenção ao utilizar estes termos frequentes na língua portuguesa: “que”, “já”, “para”, “sobre”, “com” e “como”, além dos verbos “ser”, “ter”, “estar” e “ir” (conjugados ou não) e dos artigos definidos e indefinidos (nem sempre obrigatórios).

Exemplo de texto inadequado:

A Polícia Federal faz em média 40 operações especiais por ano, especialmente para atingir organizações criminosas. A afirmação foi feita pelo Ministério da Justiça após questionamento sobre as críticas de especialistas em segurança pública sobre a entrada de armamento clandestino no país para o abastecimento de quadrilhas especializadas em roubos a carros-fortes.

Repetição do termo “que”

Para tornar o texto mais elegante, evite a repetição excessiva do termo “que”. Em grande parte dos casos, é possível reestruturar o texto.

Exemplos:

a) Três delatores da Odebrecht prestaram depoimentos na semana passada que confirmam que a empresa comprou, em 2010, um imóvel em São Paulo que seria destinado à construção de uma nova sede.

Solução

Em depoimentos na semana passada, três delatores da Odebrecht confirmaram que, em 2010, a empresa comprou um imóvel em São Paulo destinado à construção de uma nova sede.

b) Muitos candidatos do ENEM revelaram que desconheciam totalmente a matéria que constava dos programas que foram organizados pela banca que os examinava.

Solução:

Muitos candidatos do ENEM revelaram desconhecer totalmente a matéria constante dos programas organizados pela banca examinadora.

Sugestões para retirar repetições de “que” incluem:

a) Substituir “que”, quando pronome relativo, por “o qual”, “a qual”, “os quais”, “as quais” – recurso que ajuda a eliminar possível ambiguidade.

b) Usar o verbo no infinitivo: Ele disse que prefere viajar de ônibus. => Ele disse preferir viajar de ônibus.

c) Trocar formas oracionais por nominais:

O atleta que detém o recorde da prova => o atleta recordista da prova
O aluno que estuda => o aluno estudioso
A sociedade exige que o deputado seja afastado. => A sociedade exige o afastamento do deputado.

Repetição de substantivos

a) O time masculino também foi multado por causa do uniforme. A Federação Internacional diz que o uniforme está fora do padrão.

Solução:

O segundo termo “uniforme” é desnecessário:

O time masculino também foi multado por causa do uniforme. A Federação Internacional diz que está fora do padrão.

b) Para o jogo da seleção amanhã, o torcedor aposta nos gols dos brasileiros. O treino da seleção em Fortaleza terminou às oito da noite.

Solução:

Retirar o segundo:

Para o jogo da seleção amanhã, o torcedor aposta nos gols dos brasileiros. O treino em Fortaleza terminou às oito da noite.

c) O confronto ocorreu na madrugada na aldeia de índios que vivem praticamente isolados. A Funai ainda não sabe os motivos do confronto.

Solução:

Substituir o segundo “confronto” por um sinônimo (conflito, enfrentamento, luta):

O confronto ocorreu na madrugada na aldeia de índios que vivem praticamente isolados. A Funai ainda não sabe os motivos do enfrentamento.

Repetição de verbos

O homem aguarda a decisão do Supremo Tribunal Federal que decidirá se ele pode ou não ser extraditado para a Espanha.

Solução:

O homem aguarda a decisão do Supremo Tribunal Federal que determinará se ele pode ou não ser extraditado para a Espanha.

—-

Como mostrado, nem sempre a eliminação de repetições deve ser feita através da substituição por sinônimos.

E devemos ter em mente que a busca por sinônimos não pode ser excessiva. Podemos nos referir a Anitta como cantora ou artista, mas é insensato, para escapar de repetição, usar palavras não usuais ou não adequadas ao estilo do texto.

Aspectos estilísticos – 1-Ênfase – Quatro formas de dar ênfase à informação mais relevante da frase

I) Uso da voz passiva

O uso da voz ativa é mais comum e mais recomendado que o da voz passiva por motivo de clareza, destacando quem está praticando a ação.

Às vezes, no entanto, convém dar destaque ao objeto da ação.

Compare estas frases:

O diretor apresentou as novas regras.
As novas regras foram apresentadas pelo diretor.

Na primeira, a ênfase está em “diretor”. Na segunda, em “as novas regras”.

Em alguns casos, nem é importante indicar quem pratica a ação. Exemplo: “O relatório foi enviado ao cliente”.

=> Usar a voz passiva é uma forma de dar ênfase ao objeto da ação.

II) Organização da frase

A ordem dos termos na frase ajuda a enfatizar o aspecto desejado.

Compare estas frases:

O livro, concluído em 1984, fornece diversos sinais sobre o estilo do autor.
Concluído em 1984, o livro fornece diversos sinais sobre o estilo do autor.

O ano de conclusão do livro quase se perde entre vírgulas na primeira frase, mas salta aos olhos na segunda.

=> Como regra geral, o começo e o fim de frases e parágrafos são posições de destaque. As primeiras palavras chamam a atenção do leitor. As últimas prolongam-se em sua mente.

III) Pontuação

A pontuação é outro recurso usado para obter ênfase.

Exemplo:

Se em algumas ocasiões era acompanhada de um violeiro, em outras ganhava até percussão, mas o que não mudava era a inspiração para as suas letras: a religião.

Repare como a inspiração para as letras (a religião), que aparece no final da sentença após o dois-pontos, está destacada.

IV) Estruturas correlativas

Estruturas correlativas, como “tanto… quanto/como” e “não só… como/mas também”, ajudam a dar ênfase.

Exemplo:

Ele trabalha e estuda. (Sem ênfase.)
Ele não só trabalha, mas também estuda. (Com ênfase.)

Dpto. de Língua Portuguesa – Univ. Aswan

EDITAL (Número 4º do DLP) PARA CONTRATAÇÃO DE QUATRO (04) PROFESSORES DE LÍNGUA PORTUGUESA E SUAS LITERATURAS PARA ATUAREM COMO VOLUNTÁRIOS/AS COM AJUDA DE CUSTO NO DEPARTAMENTO DE LÍNGUA PORTUGUESA DA FACULDADE DE AL ALSUN (LÍNGUAS) DA UNIVERSIDADE DE ASWAN (EGITO).
Prazo para candidaturas: As candidaturas podem ser feitas até 25/04/2018.
Perfil:
1. Precisa ter graduação e mestrado em Letras – Literatura e/ou Língua Portuguesa, ou áreas afins.
2. Terá preferência professor/a com experiência no ensino Língua Portuguesa e Literaturas de Língua Portuguesa para Estrangeiros.
3. É importante que o/a candidata/o saiba se comunicar minimamente em inglês e tenha disponibilidade para aprender a língua árabe e suas culturas durante o periodo do seu serviço.
4- Ter capacidade de lidar inteligente e respeitosamente com as culturas diferentes.
Funções:
1. Preparar e dar aulas de língua portuguesa e suas respectivas literaturas.
2. Elaborar e corrigir as provas das disciplinas.
3. Cooperar com as outras professoras no processo educativo.
4. Elaborar um relatório ao fim do ano letivo sobre suas atividades de ensino e de pesquisa no Departamento de Língua Portuguesa.
5. Com autorização da Universidade de Aswan, poderá representar o Departamento de Língua Portuguesa em atividades acadêmicas egípcias e internacionais.
6. Participar das sessões de elaboração de materiais didáticos para o ensino de literaturas de língua portuguesa
7. Desenvolver um projeto de pesquisa sobre Literaturas de Língua Portuguesa e fazer publicações conjuntas com os membros do DLP (Departamento de Língua Portuguesa).
Carga horária:
40 horas (20 horas de aula e 20 horas de preparação) semanais entre atividades de ensino, pesquisa e gestão acadêmica no período de 01/10/2018 a 01/06/2019.

Benefícios:
1. Ajuda de custo mensal de 3600 Libras Egípcias (LE).
2. Transporte até a universidade.
3. Vaga na Residência de Professores da Universidade de Aswan.
4. Certificado de experiência e conclusão do estágio no Departamento de Língua Portuguesa da Universidade de Aswan.

Processo seletivo:
1- Para efetuar a candidatura é preciso enviar o currículo e uma carta de intenções para o email: aswanportugues@gmail.com
2- Após análise dos documentos, os candidatas selecionadas serão chamadas para entrevista virtual por Skype.
O resultado do processo seletivo será divulgado a partir de 20 de julho de 2018

“Na medida em que” ou “à medida que”?

Qual frase está correta?

As dúvidas iam surgindo na medida em que o consultor apresentava suas ideias.
As dúvidas iam surgindo à medida que o consultor apresentava suas ideias.

Resposta:

2) As dúvidas iam surgindo à medida que o consultor apresentava suas ideias. Essa frase significa:

As dúvidas iam surgindo à proporção que o consultor apresentava suas ideia.
As dúvidas iam surgindo conforme o consultor apresentava suas ideias.

À medida que” e “na medida em que” são locuções existentes na língua portuguesa. Embora parecidas, seus significados são diferentes. Veja abaixo.

À medida que

Essa locução é sinônima de: à proporção que, ao mesmo tempo que, conforme.

Exemplos:

As dúvidas iam surgindo à medida que o consultor apresentava suas ideias.
Ela ia ficando cada vez mais impressionada à medida que ouvia a história.
À medida que cresce o número de carros, aumenta a poluição.

Na medida em que

Essa locução indica uma causa ou justificação. É sinônima de: tendo em vista que, porque, uma vez que, por causa de, devido a, visto que, uma vez que, já que, dado que.

É uma locução conjuntiva causal que apresenta uma ideia de causa em relação ao enunciado na oração principal, introduzindo uma oração subordinada adverbial causal.

Exemplos:

É melhor comprar à vista, na medida em que os juros estão altos.
Eles foram demitidos na medida em que não se dedicaram ao trabalho.
A empresa não conseguiu aumentar as vendas na medida em que não estudou corretamente as necessidades do mercado.

Atenção: a locução “à medida em que” não existe.

 

Forte abraço!
Betty Vibranovski

Acentos diferenciais que não existem mais em decorrência do Novo Acordo Ortográfico

Complete as lacunas:

  • Quer comer uma _______ (pêra/pera) ?
  • O ônibus 455 ________ (pára / para) neste ponto?
  • Comprei uma camisa _______ (pólo / polo).
  • Qual a cor do _______ (pêlo / pelo) do seu gato?
  • Preciso _______ (por/pôr) a roupa na máquina de lavar.
  • Ontem ele não ______ (pôde/pode) comparecer.
  • Eles ________ (tem/têm) dois filhos.
  • Eles ________ (vem/vêm) hoje.

 

Respostas:

  • Quer comer uma pera?
  • O ônibus 455 para neste ponto?
  • Comprei uma camisa polo.
  • Qual a cor do pelo do seu gato?
  • Preciso pôr a roupa na máquina de lavar.
  • Ontem ele não pôde comparecer.
  • Eles têm dois filhos.
  • Eles vêm hoje.

 

Os acentos diferenciais servem para marcar algumas distinções de classe gramatical, pronúncia e/ou sentido entre algumas palavras.

 

Após o Novo Acordo Ortográfico, não se usa mais o acento que diferenciava os seguintes pares:

Para (verbo)Ele para no sinal vermelho. Para (preposição):Vou para casa.  
Pela (do verbo “pelar”)Ela pela as batatas. Pela (prep. por + a ):Ela trabalha pela manhã.  
Pelo (substantivo)Os pelos  do gato são brancos. Pelo (prep. por + o)Andou pelo lado direito da rua. Pelo (do verbo “pelar”):Eu pelo as batatas.
Polo (substantivo) Os polos norte e sul são abstrações espaciais. Polo (subst., filhote de gavião):Os polos voaram.
Pera (substantivo)Eu gosto de comer pera à tarde. Pera (preposição arcaica):

 

Permanece o acento diferencial em:

Pôde (formal verbal no pretérito)Ontem ele não pôde sair mais cedo. Pode (forma verbal no presente):Hoje ele pode sair mais cedo.
Pôr (verbo)Vou pôr o livro na mesa. Por (preposição)Esse texto foi escrito por mim.
Tem (verbo na 3ª p. singular)Ele tem filhos Têm (verbo na 3ª p. plural)Eles têm filhos
Vem (verbo na 3ª p. singular)Ele vem. Vêm (verbo na 3ª p. plural)Eles vêm.

 

Paguei o vendedor ou Paguei ao vendedor? Paguei a empregada ou Paguei à empregada? Regência verbal do verbo “pagar”

Qual frase está correte?
1 Paguei o vendedor.
2 Paguei ao vendedor.

Frase correta:
* Paguei ao vendedor.

Quando o complemento é “coisa”, o verbo “pagar” é transitivo direto (TD), ou seja, exige um complemento sem preposição:

* Paguei as entradas do cinema. => Eu as paguei (ou: Eu paguei-as).
* Ele pagou a dívida. => Eu a paguei (ou: Eu paguei-a).
* Ela pagou o vestido. => Ela o pagou (ou: Ela pagou-o).
* Preciso pagar a conta. => Preciso pagá-la.

Quando o complemento é “pessoa” (física ou jurídica), o verbo “pagar” é transitivo indireto (TI), e exige um complemento com a preposição “a”.

* Eu paguei ao vendedor. => Eu lhe paguei. (ou: Eu paguei-lhe)
* Paguei ao banco Itaú.
* Paguei à empregada.
* Paguei o apartamento ao vendedor
* Paguei a dívida ao banco Itaú.
* Paguei o salário à empregada.
* Ele pagou o valor a você? => Ele lhe pagou o valor?
* Ele precisa pagar aos credores. => Ele precisa pagar-lhes.