Regência do verbo PREFERIR

Betty Vibranovski

Qual frase está correta?

Ela prefere viajar de trem do que viajar de avião.
Ela prefere mais viajar de trem do que viajar de avião.
Ela prefere viajar de trem a viajar de avião.

Resposta:

3 – Ela prefere viajar de trem a viajar de avião.

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O verbo PREFERIR é transitivo direto e indireto. Esse verbo exige dois complementos, sendo que um deles é usado sem preposição e o outro com a preposição “a”.

Exemplos:

Prefiro pedalar ao ar livre a ir para a academia
Ela prefere dançar a fazer ginástica.
Prefiro cinema a teatro.
Prefiro português a matemática.

Observação:

Para que haja paralelismo sintático, se usarmos um determinante (artigo, pronome…) antes do objeto direto, devemos usar também um determinante antes do objeto indireto (aquele que vem depois da preposição).

Exemplos:

Prefiro o cinema ao teatro. (ao = preposição “a” + artigo “o”)
Prefiro o português à matemática. (à = preposição “a” + artigo “a”).

Traz ou Trás?

Betty Vibranovski

Quais frases estão corretas?
1) Os ciclistas passaram por traz da casa.
2) Os ciclistas passaram por trás da casa.
3) Que notícias você trás hoje?
4) Que notícias você traz hoje?

Resposta: 2 e 4.

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Traz

É a conjugação do verbo “trazer” na 3ª pessoa do singular do presente do indicativo.

Exemplos:

Ele traz notícias boas para nós.
O dinheiro traz ou não felicidade?
A água contaminada da enchente traz doenças à população.

Trás

É advérbio de lugar e vem sempre introduzido por uma preposição.

Exemplos:

Não adianta olhar para trás.
Ele saiu de trás do carro.
Ele andou para trás.
O ônibus passa por trás da prefeitura.
Os ciclistas passaram por trás da casa.

Vírgula no lugar de verbo subentendido. Obrigatória ou opcional?

Betty Vibranovski

Qual pontuação está correta?

1) Ela pedalou 50 km, a amiga 45 km.
2) Ela pedalou 50 km; a amiga, 45 km.
3) Ambas estão corretas.

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A vírgula pode ser usada para indicar a omissão de um verbo na frase. Essa vírgula é facultativa. Só é obrigatória em casos de ambiguidade, ou seja, por necessidade de clareza.

Usando-se tal vírgula, a pontuação anterior deve ser ponto e vírgula ou ponto.

Portanto, ambas as frases abaixo estão corretas:

1) Ela pedalou 50 km, a amiga 45 km.
2) Ela pedalou 50 km; a amiga, 45 km.

Exemplos

Pontuações corretas:

O pai se chamava João, a mãe Ana Maria.
O pai se chamava João; a mãe, Ana Maria.
O pai se chamava João. A mãe, Ana Maria.

Na feira compramos verduras, no supermercado café.
Na feira compramos verduras; no supermercado, café.
Na feira compramos verduras. No supermercado, café.

As bebidas foram feitas pelos homens, e as comidas pelas mulheres.
As bebidas foram feitas pelos homens; e as comidas, pelas mulheres.
As bebidas foram feitas pelos homens e as comidas pelas mulheres.

Pontuações incorretas:

O pai se chamava João, a mãe, Ana Maria.
Na feira compramos verduras, no supermercado, café.
As bebidas foram feitas pelos homens e as comidas, pelas mulheres.
As bebidas foram feitas pelos homens, e as comidas, pelas mulheres.

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Fontes:
Manual da Boa Escrita. Virgula, Crase, Palavras Compostas — Maria Tereza de Queiroz Piacentini

A vírgula – Celso Luft

Falta ou faltam dez dias? Falta ou faltam duas pessoas? Falta ou faltam resolver duas questões?

Betty Vibranovski

1/ Falta dez dias para a viagem ou Faltam dez dias para a viagem?
2/ Falta duas pessoas ou faltam duas pessoas?
3/ Falta resolver duas questões ou Faltam resolver duas questões?

Sabemos que o verbo deve concordar com o seu sujeito. Portanto, as frases corretas são:

1) Faltam dez dias para a viagem. Essa frase pode ser lida como “Dez dias para a viagem faltam”. O sujeito de “faltar” é “dez dias para a viagem”.

2) Faltam duas pessoas. “Duas pessoas faltam”. O sujeito de “faltar” é “duas pessoas”.

3) Falta resolver duas questões. A frase pode ser lida como “Resolver duas questões falta”. O sujeito do verbo “faltar” é “resolver duas questões”. Quando o sujeito de um verbo é uma oração (sujeito oracional), esse verbo fica na terceira pessoa do singular.

Outros exemplos:

– Falta comprar ovos.
– Nós vamos ao cinema, só falta comprar os ingressos.
– Faltam duas horas para irmos embora.
– Faltam dois dias para o fim de semana.

Armadilhas de concordância

Por Laércio Lutibergue

Na língua portuguesa, a maioria dos verbos fica depois do sujeito:

– Eu (sujeito) canto (verbo).
– As meninas (sujeito) viajaram (verbo).
– Guilherme e Mariana (sujeito) chegaram (verbo).

O falante escolarizado dificilmente comete deslizes de concordância com esses verbos.

Há, porém, um pequeno grupo de verbos que quebram esse paradigma e normalmente ficam antes do sujeito. Ei-los: “acontecer”, “bastar”, “caber”, “existir”, “faltar”, “ocorrer”, “restar” e “sobrar”.

Com eles, são frequentes erros como “Aconteceu fatos desagradáveis”, “Basta dois gols”, “Falta duas semanas para o Natal”, “Restou muitas dúvidas”, “Sobrou algumas empada”.

Esses erros mostram a importância da ordem “sujeito – verbo” e como o deslocamento do sujeito confunde as pessoas a ponto de elas acharem que o sujeito é um objeto direto.

Para se livrar de erros como esses, há duas orientações.

A primeira: na hora de fazer a concordância é preciso estar ciente de que a ordem “sujeito – verbo” pode estar invertida, pode ser “verbo – sujeito”.

A segunda: saber identificar o sujeito e, para isso, é só perguntar “o quê?” antes do verbo. A resposta é o sujeito.

Vejamos: queremos saber se o certo é “Falta ou Faltam duas semanas para o Natal”. Perguntamos “O que falta?”. A resposta, “duas semanas para o Natal”, é o sujeito. Temos então certeza de que o certo é “Faltam duas semanas para o Natal” e não há risco de sermos traídos pelo deslocamento do sujeito.

Artigo de Laércio Lutibergue originalmente publicados no site Português na Rede.

Curso on-line Português sem Mistério, uma parceria com a Nasajon Educacional

Betty Vibranovski

Olha a novidade!

Acaba de ser lançado o curso on-line Português sem Mistério, uma parceria entre a revisora Betty Vibranovski e a Nasajon Educacional.

Dez videoaulas estão no ar. As duas primeiras podem ser assistidas gratuitamente.

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https://educacional.nasajon.com.br/cursos/cursos-online/portugues-sem-misterio/

Destratar ou distratar? Destrato ou distrato?

Betty Vibranovski

Quais frases estão corretas?

1) Eles assinaram um destrato que anulou o contrato de locação.
2) Eles assinaram um distrato que anulou o contrato de locação.
3) Ele foi distratado pelo segurança da loja.
4) Ele foi destratado pelo segurança da loja.

Frases corretas:
– Eles assinaram um distrato que anulou o contrato de locação.
– Ele foi destratado pelo segurança da loja.

Destratar – maltratar com palavras, insultar, descompor.

Distratar – desfazer, anular, invalidar, rescindir (contrato, pacto, combinação).

Destrato – ofensa, insulto.

Distrato – anulação, rescisão de contrato.

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Fonte: ABC da Língua Culta, de Celso Luft.

Fato destorcido ou fato distorcido? Destorcer ou distorcer?

Betty Vibranovski

Qual a frase correta?
1) Ele destorceu os fatos.
2) Ele distorceu os fatos.

Frase correta: “Ele distorceu os fatos”.

DESTORCER = endireitar (o que está torcido); virar para o lado oposto; dar voltas em sentido contrário.

DISTORCER = mudar o sentido ou intenção de algo; desvirtuar; torcer (fatos, palavras, declarações); deformar; provocar distorção em;

Exemplos:

– “Em 2019, ainda há muita gente que não entende ou distorce as ideias de Darwin e seus estudos científicos.” – G1 – 12/02/2019.

– “Para qualificar Bebianno de mentiroso, Carlos distorce a informação publicada no Globo, ao sugerir que as três conversas haviam tratado do caso dos laranjas” – G1 – 20/02/2019.

– “Slogan criado por Obama é distorcido por republicanos” – Jornal Extra – 31/08/2012.

– O alto-falante está distorcendo o som.

Fonte: ABC da Língua Culta, de Celso Luft.

Comunicação assertiva

Betty Vibranovski

F

Você sabia que a comunicação assertiva é uma das principais competências desejadas pelo mercado de trabalho? Veja o que diz Mônica Barg, coach e especialista em desenvolvimento humano.

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Comunicação assertiva é uma forma de se comunicar positiva e construtivamente, é se posicionar com segurança. Na comunicação assertiva, as informações são claras, dinâmicas e em tom de respeito, proporcionando uma relação empática mesmo quando temos que dizer “não” ou lidar com assuntos difíceis.

Essa habilidade está relacionada ao nível de inteligência social e à capacidade de relacionamento. Trata-se de um canal aberto para a gestão de equipes e de uma liderança inspiradora.

Portanto, seja em casa com a família, com os amigos ou no trabalho, a busca de uma comunicação assertiva é um desafio para todos.

Aprender a se expressar de forma verbal e não verbal é fundamental para o sucesso das relações interpessoais.

Veja abaixo dicas essenciais:

# 1. Entenda o outro: observe como as pessoas à sua volta se comunicam e preferem ser abordadas. Adeque-se ao modelo de cada pessoa.

#2. Escute ativamente: 55% da comunicação humana é feita de forma não verbal, ou seja, realizada por meio de gestos, olhares e postura corporal. Esteja atento a tudo.

#3 Cuidado com as expressões: será que o modo como você se expressa é adequado? Muitas vezes nos esquecemos de observar se estamos sendo assertivos ou ofensivos. Atenção ao tom de voz e expressões verbais e não verbais.

#4. Timing é tudo: escolha o momento e o tempo certo para se manifestar. É essencial sentir e perceber a hora certa de falar. Use sua sensibilidade para não falar no momento errado.

#5. Conteúdo: busque o conhecimento do tema, referências, autores e leituras. O domínio dos termos técnicos dá maior embasamento e assertividade na comunicação.

#6. Mediação: procure tornar as ideias claras, simplificando a linguagem e ordenando as informações.

#7. Pratique: trabalhar para manter sua capacidade de comunicação é essencial para obter bons resultados e garantir o andamento de suas relações interpessoais. Invista em aprimoramento e continue a comunicar-se bem.

A boa notícia é que tudo isso pode ser treinado e aprendido.

Quando usar o pronome LHE

Quais frases estão corretas?

  • 1)  Vou lhe encontrar amanhã.
  • 2)  Gostaria de lhe convidar para o lançamento do meu livro.
  • 3)  Vou encontrá-la amanhã.
  • 4)  Gostaria de convidá-lo para o lançamento do meu livro.

 

Pronome “lhe” (lhes)

O pronome oblíquo átono “lhe” é usado somente com verbos transitivos indiretos, ou seja, que pedem preposição:

  • O diretor disse ao gerente que haverá mudanças. / O diretor lhe disse que haverá mudanças.
  • Entreguei as provas corrigidas aos alunos. / Eu lhes entreguei as provas corrigidas.
  • Lisa agradeceu ao amigo pela ajuda / Lisa agradeceu-lhe pela ajuda.

 

Pronome “o” (o, a, os, as, lo, la)

Usado somente com verbos transitivos diretos, ou seja, que não pedem preposição:

  • Vou encontrar Maria mais tarde. / Vou encontrá-la mais tarde.
  • Gostaria de convidar você para o lançamento do meu livro / Gostaria de convidá-lo para o lançamento do meu livro.
  • Eu não vi a professora. / Eu não a vi.

 

Errado: “O diretor lhe convidou para o cargo”. Certo: “O diretor o convidou para o cargo”. Quem convida convida alguém.

Errado: “Vou lhe ajudar”. Certo: “Vou ajudá-lo”. Quem ajuda ajuda alguém.

Errado: “Ele não vai obedecê-lo”. Certo: “Ele não vai lhe obedecer”. Quem obedece obedece a alguém.

Errado: “Eu lhe encontrei”. Certo: “Eu o encontrei”.

 

Embaixo ou em baixo?

Qual frase está correta?

1) Eu concordo e assino em baixo.

2) Eu concordo e assino embaixo.

Embaixo

É advérbio. Equivale a “em lugar inferior”; “por baixo”.

  • Eu concordo e assino embaixo.
  • O carro em que ele estava ficou preso embaixo do ônibus.

advérbio “embaixo” é sempre escrito junto, apesar do contraste com o antônimo “em cima” (exemplo de arbitrariedade gramatical).

Em baixo

A expressão “em baixo” somente se emprega quando a palavra “baixo” é adjetivo, ou seja, quando qualifica um substantivo:

  • Ele gosta de ouvir música em baixo volume.
  • Ela está falando em baixo tom de voz.
  • A resposta foi em baixo nível.